NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

NOTAS DA REPÚBLICA PORTUGUESA

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 A --- Ouro

Em 15 de Novembro 1957, o banco de Portugal decidiu proceder à actualização da nota de 20 escudo Ch 6 que foi modificada e melhorada com a aplicação de outros pontos de segurança no próprio papel moeda da nota.


A firma inglesa Bradbury, Wilkinson & Co Ltd, New Malden, Surrey, foi encarregada do fabrico das chapas e da estampagem destas notas com a Ch. 6 A

Estado desta nota: Rigorosamente NOVA

Dimensões: 135 x 76 mm incluindo as respectivas margens
Emissões: 21.618.000 notas com as seguintes datas:

                26 de Julho de 1960

Primeira emissão: 26 de Janeiro de 1962
Última emissão: 11 de Janeiro de 1965
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo

Para esta nota foi decidido proceder à modificação da Chapa 6 da emissão geral de 20 Escudos com um novo sistema de maior segurança. Na frente da nota continua o restrato do Conde de Catanhede, D. António Luís de Meneses.


Características técnicas:
A frente tem duas estampagens em calcografia: uma, a verde-escuro, engloba a moldura rectangular com trabalho de torno geométrico em linha branca e linha preta; a Chapa, e as palavras “Vinte Escudos” e “Ouro”, em letras estriadas, e a outra, a violeta, contém um retrato de D. António Luís de Menezes, arabescos e o dístico “Banco de Portugal”, também em letras estriadas. O fundo, em “offset”, é constituído por um desenho numismático, impresso em faixas íris, que ocupa as margens da nota, e um trabalho de duplex policromo na zona central.

O verso tem uma estampagem calcográfica, a violeta, de composição semelhante à da Chapa 6: duas janelas unidas por barras, com trabalho de guilhoché em linha branca. O emblema do Banco, na janela esquerda, está rodeado por uma gravura numismática, em que se lê duas vezes o dístico “Banco de Portugal” e o número “20”. No fundo do verso, impresso em “offset”, o desenho numismático que se estende pelas margens, o duplex da zona central e os arabescos que o envolvem são rigorosamente iguais aos da frente da nota e nas mesmas cores.

O texto complementar (data, série, numeração, as palavras “O Governador” e “O Administrador” e chancelas) de impressão tipográfica, a preto, foi aposto nas oficinas do Banco.

Papel:
Fabricado por: Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, de Inglaterra.

Marca de água:
Apresenta o retrato de D. António de Menezes, igual ao estampado na nota, e inferiormente, a legenda “Banco de Portugal”. Incorporado na pasta do papel existe um filete em traço interrompido.

domingo, 5 de dezembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 --- Ouro


Lisboa, 27 de Janeiro de 1959
Nota em estado de conservação
Absolutamente NOVA 


NOTAFILIA - República

20 Escudos Ch. 6

Esta nota, com o retrato de D. António de Menezes, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva (1621?-1675), um dos conjurados de 1640 e general da Guerra da Restauração, foi a que mais tempo circulou (trinta e sete anos) entre todas as notas emitidas pelo Banco de Portugal. Foi também a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado, introduzido na própria pasta do papel.

Dimensões: 135 x 66 mm, incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 184.366.000 notas com as seguintes datas:

28 de Janeiro de 1941
29 de Agosto de 1944
13 de Agosto de 1946
27 de Julho de 1948
28 de Junho de 1949
26 de Junho de 1951
25 de Maio de 1954
27 de Janeito de 1959

Primeira emissão: 19 de Dezembro de 1941
Última emissão: 02 de Janeiro de 1962
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo, com fundo em policromo

A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval, do Conde de Catanhede e Marquês de Marialva, D. António Luís de Menezes.

sábado, 4 de dezembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 --- Ouro


Lisboa, 27 de Janeiro de 1959

Nota em estado de conservação
Absolutamente NOVA 


NOTAFILIA - República

20 Escudos Ch. 6

Esta nota, com o retrato de D. António de Menezes, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva (1621?-1675), um dos conjurados de 1640 e general da Guerra da Restauração, foi a que mais tempo circulou (trinta e sete anos) entre todas as notas emitidas pelo Banco de Portugal. Foi também a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado, introduzido na própria pasta do papel.

Dimensões: 135 x 66 mm, incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 184.366.000 notas com as seguintes datas:

28 de Janeiro de 1941
29 de Agosto de 1944
13 de Agosto de 1946
27 de Julho de 1948
28 de Junho de 1949
26 de Junho de 1951
25 de Maio de 1954
27 de Janeito de 1959

Primeira emissão: 19 de Dezembro de 1941
Última emissão: 02 de Janeiro de 1962
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo, com fundo em policromo

A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval, do Conde de Catanhede e Marquês de Marialva, D. António Luís de Menezes.

domingo, 14 de novembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 --- Ouro


Lisboa, 27 de Janeiro de 1959
Nota em estado de conservação BC


NOTAFILIA - República

20 Escudos Ch. 6

Esta nota, com o retrato de D. António de Menezes, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva (1621?-1675), um dos conjurados de 1640 e general da Guerra da Restauração, foi a que mais tempo circulou (trinta e sete anos) entre todas as notas emitidas pelo Banco de Portugal. Foi também a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado, introduzido na própria pasta do papel.

Dimensões: 135 x 66 mm, incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 184.366.000 notas com as seguintes datas:

28 de Janeiro de 1941
29 de Agosto de 1944
13 de Agosto de 1946
27 de Julho de 1948
28 de Junho de 1949
26 de Junho de 1951
25 de Maio de 1954
27 de Janeito de 1959

Primeira emissão: 19 de Dezembro de 1941
Última emissão: 02 de Janeiro de 1962
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo, com fundo em policromo

A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval, do Conde de Catanhede e Marquês de Marialva, D. António Luís de Menezes.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 5 --- Ouro



Lisboa, 27 de Fevereiro de 1940
Nota em estado de conservação MBC

Dimensões: 156 x 83 mm. Mancha da gravura da frente da nota: 142 x 69 mm.
Emissões: 38.743.000 notas com as seguintes datas:

                  17 de Setembro de 1929
                  07 de Março de 1933
                  30 de Julho de 1935
                  23 de Abril de 1937
                  13 de maio de 1938
                  27 de Fevereiro de 1940

Primeira emissão: 11 de Setembro de 1931.
Última emissão: 18 de Dezembro de 1941
Retirada da circulação: 12 de Junho de 1946
Cor: Vermelho-escuro com fundo em policromo

A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval de Mouzinho de Albuquerque, no canto esquerdo e no canto direito, o portão do Museu Militar (antes  Museu da Artilharia). No verso o Castelo de Guimarães.

Mouzinho de Albuquerque (1855-1902), oficial do Exército português que se distinguiu nas campanhas coloniais, foi a personalidade escolhida para figurar nesta chapa, onde ainda se pode observar o portão do Museu de Artilharia, na frente, e uma vista do Castelo de Guimarães, no verso. O fabrico das chapas e a estampagem das notas estiveram a cargo da casa Bradbury, Wilkinson & Co, Ltd, New Malden, Surrey.

Características técnicas
Os desenhos que aparecem na frente da nota, a vermelho, são estampados por processo calcográfico. O fundo é impresso tipograficamente em cores esbatidas, com trabalho em duplex. Para reforçar a protecção do duplex foram gravadas linhas finas na chapa de aço.

No verso, a estampagem calcográfica é feita directamente sobre o papel, sem impressão de fundos de protecção. Os ornatos que ladeiam a gravura do Castelo têm trabalho de torno geométrico, sendo todos de configuração diferente. O texto complementar (data, chapa, série, numeração e chancelas) foi impresso tipograficamente, a preto, nas oficinas do Banco.

Papel
Fabricado por Portals Limited, Laverstoke Mills, Whitchurch, Hants, de Inglaterra. Marca de água apresenta sobre a esquerda de Mouzinho de Albuquerque, de perfil para fora, e, na parte inferior, a legenda “Banco de Portugal”, em caracteres escuros. É a primeira nota deste valor em que a personagem figurada na marca de água é a mesma da  estampagem

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 --- Ouro



Lisboa, 25 de Maio de 1954

NOTAFILIA - República

20 Escudos Chapa 6

Esta nota, com o retrato de D. António de Menezes, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva (1621?-1675), um dos conjurados de 1640 e general da Guerra da Restauração, foi a que mais tempo circulou (trinta e sete anos) entre todas as notas emitidas pelo Banco de Portugal. Foi também a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado, introduzido na própria pasta do papel.



Dimensões: 135 x 66 mm, incluíndo as respectivas margens.

Emissões: 184.366.000 notas com as seguintes datas:

28 de Janeiro de 1941
29 de Agosto de 1944
13 de Agosto de 1946
27 de Julho de 1948
28 de Junho de 1949
26 de Junho de 1951
25 de Maio de 1954
27 de Janeito de 1959

Primeira emissão: 19 de Dezembro de 1941
Última emissão: 02 de Janeiro de 1962
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo, com fundo em policromo

A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval, do Conde de Catanhede e Marquês de Marialva, D. António Luís de Menezes.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

20 Escudos --- Chapa 6 --- Ouro



NOTAFILIA  - República

20 Escudos Chapa 6
Esta nota, com o retrato de D. António de Menezes, Conde de Cantanhede e Marquês de Marialva (1621?-1675), um dos conjurados de 1640 e general da Guerra da Restauração, foi a que mais tempo circulou (trinta e sete anos) entre todas as notas emitidas pelo Banco de Portugal. Foi também a primeira nota portuguesa a utilizar um filete de segurança metalizado, introduzido na própria pasta do papel.

Lisboa, 25 de Maio de 1954

Dimensões: 135 x 66 mm, incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 184.366.000 notas com as seguintes datas:

28 de Janeiro de 1941
29 de Agosto de 1944
13 de Agosto de 1946
27 de Julho de 1948
28 de Junho de 1949
26 de Junho de 1951
25 de Maio de 1954
27 de Janeito de 1959

Primeira emissão: 19 de Dezembro de 1941
Última emissão: 02 de Janeiro de 1962
Retirada da circulação: 30 de Junho de 1978
Cor: Verde e roxo, com fundo em policromo


A frente desta nota é ilustrada com o retrato em oval, do Conde de Catanhede e Marquês de Marialva, D. António Luís de Menezes.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

História do escudo



O escudo foi criado em 22 de Maio de 1911, cinco meses após a Proclamação da República, por decreto do Governo Provisório. O ministro das Finanças era, então, José Relvas. A nova moeda renovou o sistema monetário português, colocou a unidade monetária portuguesa ao nível das dos outros países e evitou as desvantagens práticas do real (moeda da monarquia), cujo valor era muito pequeno, o que obrigava ao emprego de grande número de algarismos para representar na escrita uma quantia. Assim, a taxa de conversão foi fixada em mil réis (reais).

A nova moeda foi buscar o nome ao início da II Dinastia. O Rei D. Duarte, quando decidiu retomar a cunhagem em ouro, mandou bater os primeiros escudos, dado que era esta a figura que aparecia representada na moeda. Ao longo da história da monarquia, outros reis mandaram cunhar moedas de ouro com esta denominação. O escudo era, assim, uma moeda nobre por ser fabricada naquele metal precioso. Deverá ter sido esta uma das razões que levou os responsáveis do regime republicano a designarem a nova unidade monetária desta forma.

Segundo o preâmbulo do decreto de 22/05/1911, encontravam-se, na altura, em circulação cerca de 34 400 contos de moedas de prata e 3 900 contos de moedas de cupro-níquel e de bronze. O mesmo diploma mandou substituir estes valores por 35 500 contos de moedas de prata de 1$00, $50, $20 e $10 e por 3 750 contos de bronze-níquel de $04, $02, $01 e $005, mas este plano nunca foi integralmente cumprido. As primeiras moedas só foram cunhadas em 1912 e até 1917 apenas foram emitidos cerca de 13 000 contos de novas moedas em prata.

Quanto ao papel-moeda, encontravam-se em circulação, no momento da Proclamação da República, notas de 500, 1 000, 2 500, 5 000, 10 000, 20 000, 50 000 e 100 000 réis que o Banco de Portugal alterou, apondo-lhes sobre a coroa a sobrecarga República, tendo desta forma continuado em circulação até 1929. Contudo, a primeira nota emitida em escudos data de 1913 e resultou da alteração da chapa já gravada destinada à nota de 5 000 réis, que passou assim a apresentar o valor facial de 5 escudos/ouro chapa I. Nela figurava Alexandre Herculano. A primeira nota efectivamente concebida para escudos foi a de 20 escudos/ouro chapa I, com uma primeira emissão datada de 14 de Outubro de 1916. No centro desta nota aparecia Almeida Garrett e dos lados as figuras alegóricas da Justiça e da Glória.

A mudança do sistema monetário estendeu-se às colónias portuguesas de África, por decreto do Governo Provisório de 22 de Maio de 1911, complementado pelo decreto nº 141, de 18 de Setembro de 1913 que determinou ainda que a contabilidade pública das colónias portuguesas de Cabo Verde, Guiné, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique deveria ser feita de acordo com o novo sistema monetário a partir de 1 de Janeiro do ano seguinte. Foi também em 1913 que a contabilidade do Estado português passou a ser feita em escudos.

Desde 1911, data do I Governo Constitucional, vivia-se em Portugal um forte clima de instabilidade política, agravado, em 1914, pela Primeira Guerra Mundial e pela participação de Portugal neste conflito a partir de 1916. As consequências internas foram gravosas. O período de 1917 a 1924 caracterizou-se pela escassez de moeda, coexistindo as de bronze, com as de ferro e cupro-níquel. Para as substituir, registou-se uma avalanche de cédulas e outro numerário de papel. A subida dos preços que acompanhou a Primeira Guerra Mundial e se prolongou até 1924 fez com que o escudo neste ano passasse a valer menos 25 vezes do que aquando da sua criação e o valor intrínseco da moeda metálica ultrapassou o respectivo valor nominal, provocando o seu entesouramento, nomeadamente através de depósitos no estrangeiro. Ao mesmo tempo, surgiram cédulas emitidas à margem da lei para as substituir. Como medida para ultrapassar esta situação, o Banco de Portugal e a Casa da Moeda emitiram cédulas, tendo aquele procedido ainda à impressão de notas de valores muito baixos - 50 centavos e 1 escudo. Na mesma época, circularam igualmente notas de 2, 5, 10, 20, 50, 100, 500 e 1 000 escudos, em mais de uma chapa, nelas figurando personalidades de relevo da História portuguesa.

Em 1924, o ministério de Álvaro de Castro tomou uma série de medidas para travar a queda do escudo, nomeadamente a venda de reservas de prata do Banco de Portugal. Neste ano, o executivo reformou também a moeda metálica, aumentando o teor da liga e reduzindo o seu valor real. As cédulas foram sendo recolhidas e retiradas de circulação, sendo substituídas por moedas de 1 escudo e de 50 centavos em bronze e alumínio, de 20, 10 e 0,5 centavos em cobre. Em 1927, foi decretada a substituição das moedas de bronze e alumínio por moeda de igual valor em alpaca. Quanto às notas, o Banco de Portugal lançou novas notas e reforçou as anteriores. De recordar que o escudo em 1924 valia 25 vezes menos do que em 1911, em grande parte devido aos esforço financeiro português na Primeira Guerra Mundial. Em 1925 deu-se o maior escândalo financeiro da história do escudo: a grande burla-falsificação de Alves dos Reis, ou caso Angola e Metrópole, com mais reflexos negativos em termos políticos do que financeiros ou económicos. Alves dos Reis inundou o País com 200 000 notas de 500 escudos duplicadas, com a efígie de Vasco da Gama.

Em 1930, o ministro das Finanças António de Oliveira Salazar, acabou com a dupla circulação monetária em Portugal, retirando a divisa monárquica. A partir de 1931, assistiu-se a um novo período na história da moeda portuguesa, marcado pela transformação oficial do escudo de ouro em simples padrão teórico. O escudo conheceu entre 1920 e 1940, apesar dos percalços da economia portuguesa, um período de "relativa estabilidade", com "apenas" 20 desvalorizações. Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, 1945, o escudo não evitou algumas derrapagens e oscilações, devido ao conflito, mas depois recuperou a estabilidade, que se manteve até à década de 60. Outra faceta curiosa marcou a evolução do escudo no Estado Novo: o uso de notas e moedas como complemento popularizante dos manuais de história e da propaganda oficial do regime. Registou-se na Ditadura também uma normalização de emissões de notas e moedas, "patrióticas" e de glorificação dos heróis nacionais e dos Descobrimentos.

Na década de 60 o império começou a ruir. O escudo coabitava nas colónias com moedas locais; aí a guerra estalava e ameaçava perdurar, como veio a suceder. Na economia portuguesa, a inflação, pela primeira vez na história da Ditadura, conheceu um crescimento desmesurado, com o poder de compra em queda e as convulsões sociais a ameaçarem crises políticas. Em 1971, na Europa comunitária, entretanto, começava a construir-se a moeda única europeia. Em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974, acabou a chamada "zona do escudo", processo que se concluiria nas ex-colónias em 1977, com a implementação das novas moedas nacionais. Crises económicas e inflação permanente em níveis elevados assolaram o País desde a Revolução, principalmente entre 1977 e 1986, conhecendo-se depois, graças à adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia um período de crescimento económico. Novas moedas de 1, 5 e 10 escudos de latão-níquel e de 20, 25, 50, 100 e 200 em cupro-níquel, para além de edições especiais. Alguns destes valores em moeda seriam extintos na década de 90. Em relação ao papel-moeda, mantiveram-se em circulação notas nos valores anteriores e iniciou-se a emissão de valores novos: 2 000 escudos (1991), 5 000 (1980) e 10 000 (1996). As últimas notas em escudos fabricadas pelo Banco de Portugal (1 000, 2 000, 5 000 e 10 000) entraram em circulação em Fevereiro e Outubro de 1996.

Entretanto, desde Julho de 1990 que existia a União Económica e Monetária, que visava a coordenação das políticas monetárias europeias e a criação a médio prazo de uma moeda única na União Europeia (UE, nova designação da CEE desde 1992). Desde 1994 os estados-membros da UE adoptaram políticas de combate ao défice e de convergência económica. Em 1995, cria-se a designação de "euro" para a nova moeda única, em substituição do ECU. Entretanto, o escudo preparava-se para desaparecer: em 1999, valia menos 2 500 vezes do que quando foi criado. Portugal foi um dos países que conseguiu entrar no clube Euro dos países que adoptariam a nova moeda única, graças ao facto de ter conseguido cumprir os critérios de convergência para a nova divisa. O euro começou a fazer parte em 1 de Janeiro de 2002 nas carteiras dos portugueses, coabitando com o escudo até 28 de Fevereiro desse ano, quando a velha moeda republicana portuguesa, com 91 anos, desapareceu para sempre.

1 Escudo --- Chapa 1 --- Prata



Dimensões: 125 x 82 mm. Mancha da gravura da frente da nota: 115 x 72
Emissões: 32.480.000 notas com as seguintes datas:

07 de Setembro de 1917
29 de Novembro de 1918
25 de Junho de 1920

Primeira emissão: 26 de Abril de 1918
Última emissão: 24 de janeiro de 1929
Retirada da circulação: 30 de janeiro de 1929
Cor: Violeta-escuro com fundo em policromo

A figura que ilustra esta nota, é a mulher, que na frente simboliza a Literatura e no verso a Poesia.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

50 Centavos --- Chapa 1 --- Prata


*Nota com ordem de série numa só linha
Dimensões: 121 x 75 mm. Mancha da gravura da frente da nota: 113 x 70 mm
Emissões: 51.640.000 notas com as seguintes datas:

*05 de Julho de 1918
  05 de Julho de 1918
 25 de Junho de 1920



Primeira emissão: 24 de Dezembro de 1918
Última emissão: 24 de Janeiro de 1929
Retirada da circulação: 05 de Fevereiro de 1930
Cor: Preto, com fundo constituído por linhas ondulantes em policromo
*Nota com ordem de série numa só linha

Nota com ordem de série em duas linhas
A frente com a figura simboliza a Navegação Portuguesa, no verso apresenta uma figura simbólica da Justiça.Esta nota é normalmente conhecida entre os colecionadores e vendedores com o nome de 50 Centavos "Mulher com Barco", isto porque o tema apresentado na frente da nota, é uma mulher que segura nas suas mãos uma Caravela , tão conhecida entre nós pela epopeia levada a cabo pelos portugueses na época dos descobrimentos.



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

20 Escudos --- Chapa 7 --- Ouro


Serie com Numeração Seguida
(Estado de conservação:Q/Novas)
Dimensões: 135 x 76 mm incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 229.100.000 notas com a seguinte data:
                 26 de Maio de 1964
Primeira emissão: 19 de Janeiro de 1965
Última emissão: 31 de Outubro de 1977
Cor: Verde

A frente desta nota é ilustrada com o retrato do Santo portugês, Santo António de Lisboa. No verso, a Igreja de Santo António em Lisboa.

Santo António de Lisboa
Nascimento: 15 de Agosto de 1195 em Lisboa, Portugal
Falecimento: 13 de Junho de 1231 em Pádua, Itália
Veneração por: Igreja Católica
Beatificação: 1232, Roma
Canonização: 30 de Maio de 1232, Catedral de Espoleto por: Papa Gregório IX
Principal templo: Basílica de Santo António de Pádua, Pádua, Itália
Festa litúrgica: 13 de Junho
Atribuições: livro, pão, Menino Jesus e lírio
Padroeiro: Pádua, pobres, mulheres grávidas, casais, pessoas que desejam encontrar objectos perdidos, oprimidos, entre outros


Igreja e Museu Antoniano em Lisboa

Situados perto da Sé Patriarcal de Lisboa, a Igreja e Museu Antoniano em Lisboa são o centro da devoção ao santo lisboeta, em especial no dia que lhe é dedicado, 13 de Junho.

O Museu Antoniano é um museu monográfico dedicado à vida e veneração do santo, exibindo, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção que evocam a vida e o culto ao santo.

O Museu fica anexo à Igreja, local onde, de acordo com a tradição, nasceu o santo. Em conjunto, esses dois espaços constituem um dos mais importantes locais de homenagem ao mesmo.

No ano de 1995 comemorou-se o 800.º aniversário do seu nascimento, com grandes celebrações por toda a cidade de Lisboa.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Viagem ao dia do regicídio

Como é que tudo aconteceu no derradeiro dia 1 de Fevereiro de 1908? A investigadora Margarida Magalhães Ramalho, autora de trabalhos como "Rei D. Carlos" e "1908, Um Olhar sobre o Regicídio", lembra os pormenores da história que cem anos depois continua a gerar polémica.
(ExpressoMultimedia)





Regicídio de 1908

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.O Dia do Regicídio
 
O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio, na época (mais conhecida por Terreiro do Paço), em Lisboa, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do Rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe, marcando o fim da ultima tentativa séria de reforma da Monarquia Constitucional, e consequentemente, uma nova escalada de violência na vida pública do País.
 
 
O Rei D. Carlos
 
 
O Príncipe Real Luís Filipe
 


Portugal, em 1906, é um país profundamente dividido. As posições mais extremadas são entre os monárquicos unidos na defesa do rei D. Carlos e os republicanos que o pretendem derrubar para proclamar a república.

Mas a realidade é ainda mais complexa do que as lutas políticas no parlamento, jornais e cafés deixam antever. Os dois partidos do regime, que se têm alternado no poder e formam e desfazem governos com a maior facilidade, fragmentam-se e tremem com uma nova ameaça: João Franco.

Por sua vez, os republicanos debatem-se com os que defendem a queda da monarquia por métodos pacíficos e os radicais da Carbonária que pegaram em armas e fazem explodir bombas.

A 1 de Fevereiro de 1908, no regresso de mais uma prolongada estadia em Vila Viçosa, o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, são assassinados em pleno Terreiro do Paço. Anarquistas afectos à Carbonária, Alfredo Costa, Manuel Buiça, entre outros, extinguem praticamente a monarquia portuguesa de um só golpe.

A extrema violência deste acto deixa a sociedade Portuguesa consternada e culmina a clivagem entre os Monárquicos e os Republicanos. Esta série é um retrato dos tempos de enorme perturbação social que antecedem o Regicídio e das suas repercussões e convulsões, que acabaram por alterar implacavelmente o regime político Português.

Uma série de 6 espisódios, sobre os acontecimentos históricos que culminaram nos assassínios do rei D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, no dia 1 de Fevereiro de 1908.

Saiba mais no site oficial desta série "O Dia do Regicidío"

domingo, 10 de outubro de 2010

50 Escudos --- Chapa 9 --- Ouro


Série com numeração seguida
(Rigorosamente NOVAS)

Dimensões: 142 x 70 mm incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 79.611.000 notas com as seguintes datas:
                  28 de Maio de 1968
                  01 de Fevereiro de 1980
Primeira emissão: 16 de Março de 1979
Cor: Castanho-escuro
A frente desta nota é ilustrada com a figura da Ifanta D. Maria.
No verso, uma vista de Sintra do ano 1507

Infanta D. Maria
Infanta, filha do rei D. Manuel e de sua terceira mulher, D. Leonor, irmã de Carlos V.

N. em Lisboa no paço da Ribeira, a 8 de Junho de 1521, sendo baptizada no dia 17 pelo arcebispo de Lisboa D. Martinho Vaz da Costa, escolhendo o rei seu pai para padrinho, em nome de Carlos III, duque de Sabóia, o barão de S. Germano, senhor de Balaison, enviado então por embaixador a este reino para solicitar o casamento da infanta D. Beatriz; e madrinhas esta infanta e D. Isabel, sua irmã. Fal. no seu paço de Santos, então extramuros da cidade de Lisboa, a 10 de Outubro de 1577.

Perdeu seu pai no dia 13 de Dezembro do mesmo ano de 1521, tendo ela apenas dois meses de existência. Ausentando-se também sua mãe para Espanha, em 1523, deixando-a ainda no berço, recebeu a primeira educação de D. Elvira de Mendonça, camareira-mor da rainha D. Leonor, sendo depois entregue aos cuidados de sua tia D. Catarina, irmã de sua mãe, quando chegou a Lisboa em 1524 para casar com o rei D. João III. D. Maria era dotada de rara inteligência e de excelente memória. Entre os seus professores, distinguiram-se a sua aia Luísa Sigeia, doutíssima senhora, natural de Toledo, que lhe ensinou letras humanas e a língua latina; sua irmã Ângela Sigeia com quem aprendeu a tocar alguns instrumentos, com especialidade os mais usados no culto divino como a harpa e o órgão, e Frei João Soares de Urró, da ordem dos eremitas de Santo Agostinho, depois bispo de Coimbra, que a iniciou nas divinas letras.

Quando completou 16 anos de idade, o rei seu irmão lhe organizou casa própria e separada do paço real, composta de damas e fidalgos da mais selecta nobreza do reino, sendo tratada com grandeza igual à das rainhas, só com a diferença do título. A infanta D. Maria, pelas amplíssimas heranças que lhe deixaram seu pai e sua mãe, foi a princesa mais rica que, abaixo das rainhas, houve no seu tempo na Europa. Foi senhora de grande número de cidades, vilas e outras terras, juros e jurisdições em França, Espanha e Portugal, e de riquíssimas jóias, baixelas, armações, e tapeçarias da rainha sua mãe. D. João III lhe concedeu muitas mercês e privilégios, como consta de alguns documentos existentes no Arquivo Real, como são: uma carta em data de 26 de Janeiro de 1545, em que se lhe concedem de padrão de juro e herdade 5.000$000 reis. em virtude da contrato feito com o mesmo rei D. João III, que se acha inserto; e duas cartas, expedidas à mesma infanta, de privilégios, e jurisdição delas em data de 2 de Novembro do mesmo ano; o 1.º no Livro da Chancelaria do dito rei a fol. 25 e os 2.os no Livro 43, fols. 9 verso, e 14 verso. No seu paço particular criou a infanta D. Maria uma verdadeira universidade de senhoras ilustres em todo o género de ciências e artes, de que foi especial protectora, pois não só se encontrava quem se desse à lição dos livros, e tocasse destramente diferentes instrumentos, mas quem com o pincel e com a agulha procurasse nos primores da pintura e lavor virtuosa emulação, e seguisse todos os outros louváveis exercícios, aos quais juntava com tal reverência e edificação a prática dos actos de piedade em todo o género de virtudes, pela direcção de Frei Francisco Foreiro, seu confessor, da ordem de S. Domingos, que parecia mais um mosteiro de religiosas reformado, do que paço real.

Pela fama da sua grande instrução e de muitas virtudes, alguns dos maiores príncipes da Europa a pretenderam para esposa, como foram: o Delfim de França, filho de Francisco I; o duque de Orleães, irmão do mesmo Delfim, a quem o imperador Carlos V prometera a investidura do ducado de Milão, ou do condado de Flandres. Não se efectuando nenhum destes casamentos, pelo falecimento destes príncipes antes deles se realizarem, o rei Fernando de Hungria, rei dos romanos, e depois imperador, enviou a Portugal um embaixador pedindo a mão da infanta para mulher de seu filho Maximiliano, e por fim, o rei de Espanha, Filipe II, apenas enviuvou da rainha Maria de Inglaterra, também a requestou. Dizem que a principal razão porque nenhum destes casamentos se realizou foi a pouca vontade de D. João III, porque naquele tempo os cofres reais achavam-se exaustos, e era dificultoso satisfazer à infanta o muito que importava a sua legitima e o valor do dote, e arras da rainha D. Leonor, sua mãe, que tinha de levar consigo para quem casasse com a infanta. Conservou-se, portanto, a infanta sempre solteira, consagrando-se ao serviço de Deus. No ano de 1558, tendo já falecido D. João III, para satisfazer aos desejos de sua mãe, que desejava ansiosamente vê-la depois duma separação de 37 anos saiu de Lisboa acompanhada de grande número de fidalgos e de muitas damas suas e da rainha D. Catarina, sua tia, indo a Elvas e dali a Badajoz, onde a rainha D. Leonor veio encontrá-la, com sua irmã, a rainha de Hungria e muitos grandes de Espanha. Em Badajoz se demoraram 20 dias, realizando-se então muitas festas públicas. D. Leonor desejava ardentemente que sua filha não voltasse para Portugal, oferecendo-lhe todas as riquezas e estados que possuía, mas a infanta, lembrando-se do juramento que prestara de voltar ao reino, resistiu a todas as súplicas de sua mãe. D. Leonor ficou tão pesarosa que, poucos dias depois deste encontro, faleceu.

A infanta D. Maria continuou em religiosos exercícios. Edificou à sua custa em 1575 a igreja e a capela-mor do convento de Nossa Senhora da Luz, da ordem de Cristo, situado no largo da Luz. (V. Portugal, este vol. pág. 596). Também fundou no lado fronteiro, um hospital, que se concluiu em 1618, já muito de pois do falecimento da infanta, e para o qual deixara avultados rendimentos. Os seguintes conventos foram igualmente fundados pela infanta D. Maria: o de Santa Helena do Calvário em Évora; o de Nossa Senhora dos Anjos, de capuchos arrábidos, junto a Torres Vedras, em cuja vila também teve um palácio; o de S. Bruno, e o de Santo Cristo dos Milagres, de Santarém, e deixou em seu testamento com que se edificasse um mosteiro para as comendadeiras da ordem de S. Bento de Avis, que se construiu em Lisboa com a invocação, que ela ordenara, de Nossa Senhora da Encarnação, que ainda hoje existe. Fundou mais a igreja paroquial de Santa Engrácia, de Lisboa, e fez muitas obras piedosas em outras casas religiosas, como no convento da Graça, da ordem de Santo Agostinho, onde mandou construir uma capela dedicada a Nossa Senhora, cuja imagem foi primorosamente coberta de prata lavrada; no mosteiro de S. Bento, que estava em construção, mandou fazer uma grande imagem deste santo, que foi colocada no altar-mor, adornando também a sua capela e a de outros altares. Por intervenção do embaixador de Portugal na Cúria Romana obteve uma relíquia do mesmo santo, que era uma parte da que existia no mosteiro de S. Paulo, de Roma.

Dispôs ainda em vida de muitas das suas riquezas, e no seu testamento, feito em 17 de Julho de 1577, determinou muitas obras de caridade por todo o reino, grandes socorros para pobres, viúvas, donzelas, órfãos, enfermos, remissão de cativos, muitas casas para abrigo dos peregrinos, dotes para casamentos de órfãs, etc. Todos os anos vestia 9 mulheres no dia de Nossa Senhora da Encarnação, e outras tantas no dia da Natividade; na sexta-feira de Paixão vestia 33 pobres. Determinou também muitos sufrágios anuais e muitas missas quotidianas. A seu sobrinho, o rei D. Sebastião deixou, além de outros legados, uma rica tapeçaria de panos de Tunis, que a infanta, em honra de seu tio, o imperador Carlos V, e do infante D. Luís; seu irmão mandara fazer a Flandres. Não estando concluída ainda na ocasião do seu falecimento, a capela de Nossa Senhora da Luz, no convento deste título, que ela destinara para seu jazigo, mandou que a depositassem provisoriamente no mosteiro da Madre de Deus, em Xabregas, onde efectivamente foi depositado o seu corpo na casa do capítulo, junto ao da rainha D. Leonor, mulher de D. João II, celebrando-se exéquias com grande pompa, a que assistiram o rei D. Sebastião, o cardeal D. Henrique e toda a corte. Quase 20 anos depois, em 30 de Junho de 1597, por determinação de Filipe I, de Portugal, procedeu-se à trasladação do cadáver da infanta para o seu jazigo na igreja da Luz.



Palácio Real da Vila de Sintra no Sec. XV



sábado, 9 de outubro de 2010

50 Escudos -- Chapa 8 -- Ouro


Serie Seguida 2 x 50 Escudos Ch. 8
(Rigorosamenre NOVAS)

Dimensões: 142 x 70 mm incluíndo as respectivas margens.
Emissões: 130.383.000 notas com a seguinte data:
                  28 de Fevereiro de 1964
Primeira emissão: 21 Julho de 1965
Última emissão: 11 de Maio de 1979
Cor: Castanho-avermelhado

A frente desta nota é ilustrada com a efígie da rainha Santa Isabel.
No verso, temos a ilustração de uma vista da cidade de Coimbra.


Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Isabel de Aragão nasceu em Zaragoça no ano cerca 1270 --- faleceu em Estremoz a 4 de Julho do ano 1936 --- foi uma infanta aragonesa e, de 1282 até 1325, rainha consorte de Portugal. Passou à história com a fama de Santa, tendo sido beatificada e, posteriormente, canonizada. Ficou popularmente conhecida como Rainha Santa Isabel ou, simplesmente, A Rainha Santa.

4 Notas 50 Esc. com assinaturas diferentes
(Rigorosamente NOVAS)

Origens
Isabel era a filha mais velha do rei Pedro III de Aragão com Constança da Sicília. Por via materna, era descendente de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico, pois o seu avô materno era Manfredo de Hohhenstauffen, rei da Sicília, filho de Frederico II.


Teve cinco irmãos, entre os quais os reis aragoneses Afonso III e Jaime II, para além de outro monarca reinante, Frederico II da Sicília. Para além disso, uma sua tia materna foi Santa Isabel da Hungria, também considerada santa pela Igreja Católica.

 
Universidade de Coimbra Séc. XIII
A Universidade de Coimbra, sediada na própria cidade que lhe dá o nome, é a mais antiga Universidade de Portugal. Esta instituição é uma das maiores do país, remonta ao Séc. seguinte ao da própria fundação da nação portuguesa, dado que foi criada no século XIII, em 1290, mais especificamente no dia 1 de Março desse mesmo ano, quando foi assinado em Leiria  por D. Dinis, o documento Scientiae thesaurus mirabilis, que deu origem à criação da própria Universidade e pediu ao Papa a confirmação.

2 x 50 Esc. - Lisboa, 28 de Fevereiro de 1964
(Rigorosamente NOVAS)


Casamento
D. Dinis I de Portugal tinha 19 anos quando subiu ao trono e, pensando em casamento, convinha-lhe Isabel de Aragão, assim D. Dinis enviou, por isso, uma embaixada a Pedro de Aragão em 1280. Formavam-na João Velho, João Martins e Vasco Pires. Quando lá chegaram, estavam ainda à espera de resposta enviados dos reis de França e de Inglaterra, cada um desejoso de casar com Isabel um dos seus filhos. Aragão preferiu entre os pretendentes aquele que já era rei.


A 11 de Fevereiro de 1282 com 12 anos , Isabel casou-se, então, por procuração com o soberano português D. Dinis em Barcelona, tendo celebrado a boda ao passar a fronteira da Beira, em Trancoso, em 26 de Junho do mesmo ano. Por esse motivo, o rei acrescentou essa vila ao dote que habitualmente era entregue às rainhas (a chamada Casa das Rainhas, conjunto de senhorios a partir dos quais as consortes dos reis portugueses colhiam as prendas destinadas à manutenção da sua pessoa.

Em 1281 D. Isabel de Aragão recebeu como dote as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer, e Porto de Mós. Posteriormente deteve ainda os castelos de Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso, Nóbrega, Santo Estêvão de Chaves, Monforte de Rio Livre, Portel e Montalegre, para além de rendas em numerário e das vilas de Leiria e Arruda (1300), Torres Novas (1304) e Atouguia da Baleia (1307). Eram ainda seus os reguengos de Gondomar, Rebordões, Codões, para além de uma quinta em Torres Vedras e da lezíria da Atalaia.

Segundo uma história apócrifa, D. Dinis não lhe teria sido inteiramente devotado e visitaria damas nobres na região de Odivelas. Ao saber do sucedido, a rainha ter-lhe-á apenas respondido: Ide vê-las, Senhor. Com os tempos, de acordo com a tradição popular, uma corruptela de ide vê-las teria originado o moderno topónimo Odivelas. Contudo, esta interpretação não é sustentada pelos linguistas.

Do seu casamento com o rei D. Dinis teve dois filhos:

• Constança (3 de Janeiro de 1290 - 18 de Novembro de 1313), que casou em 1302 com o rei Fernando IV de Castela.

• D. Afonso IV (8 de Fevereiro de 1291 - 28 de Maio de 1357), sucessor do pai no trono de Portugal


Falecimento e legado
Isabel faleceu, tocada pela peste, em Estremoz, a 4 de Julho de 1336, tendo deixado expresso em seu testamento o desejo de ser sepultada no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, onde em 1995 foi iniciada uma escavação arqueológica, após ter estado por 400 anos parcialmente submerso pelo rio Mondego.

Segundo uma história hagiográfica, sendo a viagem demorada, havia o receio de o cadáver entrar em decomposição acelerada pelo calor que se fazia, e conta-se que a meio da viagem debaixo de um calor abrasador o ataúde começou a abrir fendas, pelas quais elas escorria um líquido, que todos supuseram provir da decomposição cadavérica. Qual não foi, porém a surpresa quando notaram que em vez do mau cheiro esperado, saía um aroma suavíssimo do ataúde. O seu esposo D. Dinis repousa no Mosteiro de São Dinis em Odivelas
Isabel terá sido uma rainha muito piedosa, passando grande parte do seu tempo em oração e ajuda aos pobres. Por isso mesmo, ainda em vida começou a gozar da reputação de santa, tendo esta fama aumentado após a sua morte. Foi beatificada pelo Papa Leão X em 1516, vindo a ser canonizada, por especial pedido da dinastia filipina, que colocou grande empenho na sua santificação, pelo Papa Urbano VIII em 1625. É reverenciada a 4 de Julho, data do seu falecimento.

Com a invasão progressiva do convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra pelas águas do rio Mondego, houve necessidade de construir o novo convento de Santa-Clara-a-Nova no século XVII, para onde se procedeu à transladação do corpo da Rainha Santa. O seu corpo encontra-se incorrupto no túmulo de prata e cristal, mandado fazer depois da trasladação para Santa Clara-a-Nova.


A lenda do milagre das rosas

Estátua da Rainha Santa Isabel na igreja do Palácio Nacional de Mafra
A história mais popular da Rainha Santa Isabel é sem dúvida a do milagre das rosas. No entanto, este milagre foi originalmente atribuído à sua tia-avó Santa Isabel da Hungria. Provavelmente por corrupção da lenda original, e pelo facto de as duas rainhas possuírem o mesmo nome e fama de santas, a história passou também a ser atribuída a Isabel de Aragão.

Segundo a lenda portuguesa, a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: São rosas, Senhor!. Desconfiado, D. Dinis inquirido: Rosas, no Inverno?. D. Isabel expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele haviam rosas, ao invés dos pães que ocultara.

A época exacta do aparecimento desta lenda na tradição portuguesa não está determinada. Não consta de uma biografia anónima sobre a rainha escrita no século XIV, mas circularia oralmente pelo país nas últimas décadas desse século. O mais antigo registo conhecido é um retábulo quatrocentista conservado no Museu Nacional de Arte da Catalunha.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Presidentes I República e II República


Primeira República - 1911 - 1926

A República Velha
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   1°         Manuel J.          Partido                    24.08.1911
               de Arriaga         Republicano            26.05.1915
   2°        Teófilo               Partido                   29.05.1915
               Braga                Democrático           05.08.1915
   3°        Bernardino         Partido                   06.08.1915
               Machado           Democrático            05.12.1917

A República Nova
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
    4°           Sidónio          Partido Nacional      28.04.1918  
                    Pais                Republicano         14.12.1918
   

A Nova República Velha 
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   5°           João Canto      Partido Nacional      16.12.1918
                  e Castro            Republicano         05.10.1919
   6°          António J.         Partido Repub.       05.10.1919
                de Almeida         Evolucionista         05.10.1923
   7°          Manuel T.             Partido               06.10.1923
                 Gomes             Democrático          11.12.1925
   8°         Bernardino             Partido              11.12.1925
                Machado           Democrático           31.05.1926


II República: Ditadura Militar
(1926-1933) e o Estado Novo ( 1933-1974)

A Ditadura Militar
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
     9°           Mendes            Nenhum               31.05.1926
                 Cabeçadas                                     17.06.1926
    10°        Gomes da           Nenhum              17.06.1926
                    Costa                                        09.07.1926


Estado Novo
Posição__Presidente___Partido Politico___Mandato
   11°            Óscar           a partir de 1932      16.11.1926
                  Carmona         União Nacional       18.04.1951
  .....           Oliveira              União                 18.04.1951
                  Salazar             Nacional              21.07.1951
   12°         Craveiro              União                21.07.1951
                   Lopes             Nacional               09.08.1958
   13°         Américo          U. Nacional             09.08.1958
                  Tomás  A partir 1968 Acçâo N. Popular     25.04.1974

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia 5 de Outubro de 1910 - Hoje faz 100 anos


Hino Nacional - Antes e Depois da Implantação da República a 5 de Outubro de 1910





Centenário da Implantação da República - Revolta de 31 de Janeiro


Diário da República: A revolução de 1910
Por volta das 9 horas da manhã do dia 5 de Outubro, Eusébio Leão, na companhia de quase todo o Directório do Partido Republicano, assomou na varanda da Câmara Municipal de Lisboa para anunciar solenemente à multidão que estava implantada a República em Portugal e, portanto, abolida a Monarquia e proscrita para sempre a Casa de Bragança. Nessa tarde, enquanto a vitória do novo regime era comunicada por telégrafo de Lisboa a outras cidades e à província, o rei D. Manuel II e a família real embarcavam na Ericeira a caminho do exílio.

A maioria das análises sobre o 5 de Outubro mostra que não foi uma revolução de massas, nem mesmo um golpe militar solidamente organizado. Foi antes o resultado voluntarista do esforço de alguns oficiais da armada – sobretudo Machado Santos, o “herói da Rotunda” – e de umas centenas de civis armados, que enfrentaram uma monarquia muito fragilizada por divisões internas, pelo descrédito de um rei jovem e inexperiente, que nunca se soube impor, e de forças armadas cuja fidelidade ao comando monárquico foi quase nula na hora do combate.

Foi assim ,de forma algo amadora e quase acidental, que os republicanos puseram fim a 750 anos de monarquia em Portugal, ao cabo de 48 horas de luta na Rotunda, no Tejo e na linha de Alcântara. Em todo o caso, o 5 de Outubro inaugurou o século XX português, fazendo do país, ao tempo, a segunda República moderna da Europa a seguir à francesa e consagrando uma forma de regime que, apesar da variação de conteúdo ao longo das décadas seguintes, é ainda aquela que hoje rege Portugal.

Com todas as virtudes e defeitos, Portugal tem uma República há cem anos.

1910 revisitado

Os sinais de que a mudança de regime podia estar eminente já eram visíveis nos diversos periódicos e foram-se adensando cada vez mais. Se é verdade que O Século, fundado pelo maçon Magalhães Lima,sempre se assumiu como uma espécie de porta-voz e defensor da causa republicana outros, como o concorrente Diário de Notícias foi-se rendendo, a pouco e pouco , à evidência de que os republicanos tinham uma influência política cada vez maior e as suas actividades não podiam ser ignoradas. No entanto, continuava a dar grande destaque à Família Real e à Coroa.

No dia 2 de Janeiro as Cortes reabriram com a presença do Rei D. Manuel II. Ambos os jornais deram largo espaço ao evento no dia seguinte mas ocupando grande parte da notícia com descrições detalhadas sobre o ambiente, o tempo, as presenças, o que levavam vestido, quem cumprimentavam, etc. Pouco espaço foi reservado ao discurso de D. Manuel, que mesmo assim reproduziram na íntegra. O Diário de Notícias não fez qualquer comentário, mas O Século expressou a sua opinião no título “O discurso da Côroa nem surpreende nem interessa …” Muito significativamente, ao lado o jornal colocou o anúncio a uma peça de teatro protagonizada pela actriz Ângela Pinto que se chamava “O Canto do Cisne”!

As lutas operárias passaram a ocupar cada vez mais espaço nos dois jornais de maior tiragem, ao ponto de terem direito a uma coluna diária. Reivindicações, protestos, greves, manifestações, as conquistas, tudo era noticiado assim como as festas, concertos e saraus que se organizavam a fim de angariar fundos para os grevistas que não tinham salário. Por vezes também podiam contar com a solidariedade internacional, seja na ajuda económica seja na presença de líderes sindicais que vinham apoiar as lutas do operariado português.

 “A excepção confirma a regra” e a vida operária não fugia ao ditado popular. Foi por exemplo o que aconteceu num domingo de Setembro de 1910 quando 900 operários da Real Fábrica de Louças de Sacavém se meteram num comboio especial com 17 carruagens para irem ao Estoril demonstrar a sua gratidão ao patrão, o industrial Jayme Gilman. O Diário de Notícias mostrava as fotografias do animado convívio entre o patrão e família com os seus operários.

Os problemas com a carestia de vida que a maioria da população enfrentava não escapavam à imprensa. Por exemplo, no fim de Março o Diário de Notícias destacava a o alto preço dos géneros e afirmava que “ a vida em Lisboa é bastante difícil e talvez haja poucas capitais da Europa onde seja tão dispendiosa, sobretudo em géneros de 1ª necessidade”.O jornal apontava o dedo aos açambarcadores e aos intermediários que faziam chegar os produtos aos consumidores, mais caros. E num tom crítico afirmava que para “acudir a todas estas fatalidades é que devem intervir os poderes públicos, para fazer leis, evitar fraudes, protegendo o comércio, a indústria e os consumidores”.

No fim de Abril decorreu no Porto o Congresso Republicano. A Imprensa foi autorizada a assistir e lá estiveram várias dezenas de jornalistas, muitos deles republicanos. O Partido Republicano assumiu o anti-clericalismo mas aceitou a proposta de Bernardino Machado segundo a qual a reacção clerical deveria obedecer a um plano muito ponderado de forma a evitar intolerâncias.

O Congresso decidiu também enviar Bernardino Machado, Magalhães Lima e José Relvas ao estrangeiro – Espanha, Inglaterra e Itália – para auscultar a recepção a uma República em Portugal. Entretanto, foi nomeada uma Comissão para colaborar mais activamente com a Carbonária e preparar a Revolução.

Enquanto os republicanos sonhavam com uma mudança e regime, a maioria da população andava muito nervosa com a passagem do Planeta Halley pela Terra, prevista – e concretizada – a 20 de Abril. Já se falava em “fim do mundo” e foi preciso que alguns mais esclarecidos – como Teófilo Braga – viessem explicar que podiam ficar descansados porque a passagem do Halley não teria qualquer consequência na Terra. Mas não deixou de ser tema de conversa e até inspirou anúncios e uma revista com 3 actos e 12 quadros que esteve em cena no Teatro Paraíso chamada “No Cometa”.

Já em 1910 os jornalistas se queixavam da falta de condições de trabalho no Congresso. Mas quando lhes foi vedado o acesso aos Passos Perdidos por causa das reclamações de alguns deputados, os representantes da imprensa pediram uma reunião com o Presidente, o Conde Penha Garcia. A conversa valeu a pena porque os jornalistas conseguiram a promessa de em breve lhes seria disponibilizada uma sala e outras concessões que “facilitem o desempenho da sua árdua tarefa”. No fim, o artigo do DN não se esquecia de referir que “aquele titular tinha sido, como sempre, extremamente amável com os representantes da imprensa”.

No seguimento de mais uma crise política, o Rei D. Manuel II convidou Teixeira de Sousa para formar governo e este aceitou. Ficou desde logo estabelecido que seriam convocadas eleições gerais para 28 de Agosto, que seriam as últimas da Monarquia Constitucional. O Partido Republicano Português ganhou em Lisboa, Setúbal e Beja elegendo catorze deputados.

Um mês depois, o PRP reuniu de emergência porque os seus membros desconfiavam que alguns espiões da monarquia tinham conseguido infiltrar a organização. E decidiram que a Revolução tinha que avançar quanto antes, apesar de não terem um plano. No dia 2 de Outubro voltaram a reunir na sua sede no largo de São Carlos e o Almirante Cândido dos Reis achou que era altura de agir. Mas no dia 3, um doente mental do Hospital de Rilhafoles assassinou o seu director Miguel Bombarda, que era o chefe civil da conspiração. Acto tresloucado ou assassinato político, o certo é que a moral dos republicanos baixou quando a notícia começou a ser espalhada.

Na madrugada de dia 4 eclodiu a revolução e aproveitando a presença no Tejo dos cruzadores Adamastor e S. Rafael que tinham sido tomados, os revolucionários bombardearam o Rossio onde estava a Guarda Municipal fiel à Monarquia e o Palácio das Necessidades, onde estava o Rei. Os republicanos esperavam a adesão de muitas unidades militares da guarnição de Lisboa mas apenas três responderam à chamada e Cândido dos Reis, desesperado, suicidou-se. Concentrados na Rotunda, os revolucionários combatiam os soldados leais a D. Manuel, liderados por Paiva Couceiro mas a notícia de que a Guarda Municipal iria “carregar” levou muitos militares a fugir. Ficaram pouco mais de uma centena com cerca de cinquenta civis, liderados por Machado Santos mas algumas horas depois já tinham ao seu lado quase 1.500 soldados que tinham desertado.

E acabou por ser um “lapso” que levou a que a República fosse proclamada mais cedo: ao fim da madrugada o representante da Alemanha pediu um cessar – fogo para permitir a evacuação dos alemães. Os soldados no Rossio hastearam uma bandeira branca que a população interpretou como um sinal de rendição. E pouco depois José Relvas fazia o anúncio da varanda da Câmara de Lisboa.

Nos dias seguintes a República foi sendo proclamada pelo resto do país pelo telefone. Curiosamente já tinha sido proclamada logo no dia 4 nos concelhos de Almada, Barreiro, Seixal e Montijo.

No dia 6 a Família Real embarcou no iate Amélia na praia da Ericeira com destino ao exílio.

Entretanto o Governo Provisório tomou posse e as primeiras medidas adoptadas visaram a Igreja: por decreto foram encerradas as casas religiosas e expulsos os jesuítas; o ensino religioso foi abolido das escolas e os membros do clero começaram a sofrer perseguições e maus – tratos que culminariam com a aprovação da Lei da Separação do Estado das Igrejas em Abril do ano seguinte.

Um dos primeiros países a reconhecer a República do Brasil. O seu Presidente, Marechal Hermes da Fonseca, encontrava-se cá, em visita oficial a convite de D. Manuel II e acabou por testemunhar todos os acontecimentos a bordo do cruzador S. Paulo, ancorado no Tejo.

Os confrontos nestes dias de Revolução provocaram vários mortos e feridos. E como era hábito, os jornais lideravam campanhas de solidariedade… neste caso, o Diário de Notícias organizou uma campanha de fundos “a favor das vítimas sobreviventes da mudança de regime”.

Por outro lado os Armazéns do Chiado publicaram um anúncio diferente do habitual e fizeram saber que “nunca nada pediram à Monarquia e também nada pedirão à República. E decidiram pagar a “férea” semanal a todo os seus 500 funcionários como se não tivesse havido interrupção do trabalho por causa dos tumultos. Além disso ainda ofereceram um cheque de 300 mil reis para ajudar as famílias dos combatentes mortos ou feridos.

A primeira greve da República começou no dia 25 de Outubro e foi a dos carroceiros que lutavam por melhoramentos salariais. Eusébio Leão foi um dos mediadores; o segundo foi a Associação dos Lojistas, que era muito prejudicada com o conflito. Ao fim de três dias estava tudo resolvido.

No dia 15 de Novembro a CARRIS deu início a uma vaga de greves que se prolongariam por muito tempo. Três semanas depois o Governo faria um decreto em que restringia o direito à greve e que levou os operários a apelidá-lo de “decreto burla”.

Depois de avisar que dia 1 de Novembro não era dia santo nem feriado, no dia 13 o Governo decretou que daí para a frente existiriam apenas 5 feriados: 1 de Janeiro consagrado á fraternidade universal; 31 de Janeiro, aos mártires da República; 5 de Outubro, pelos heróis da República; 1 de Dezembro, consagrado à autonomia da Pátria Portuguesa e 25 de Dezembro, dedicado à Família (mas que consagra o Casamento Civil e o Divórcio).

No dia 1 de Dezembro realizou-se a primeira festa da República, dedicada à Bandeira Nacional. Depois de muita discussão foi decidido que seria verde e vermelha com a esfera armilar em amarelo e os escudos. Apesar da “enfadonha chuva” milhares de pessoas participaram nas manifestações.

Este foi ainda o ano em que foi lançada uma nova revista que se assumia como o órgão oficial do movimento renascença Portuguesa: A Águia. Fazia a apologia do ideal e dos valores nacionalistas e foi nas suas páginas que se leram, pela primeira vez, os ensaios de Fernando Pessoa. Mas teve outros colaboradores com diversas tendências literárias, como Teixeira de Pascoais, Veiga Simões e Augusto Santa Rita. Como curiosidade refira-se que apesar de quase 75% da população portuguesa ser analfabeta por esta altura Portugal tinha cerca de 500 publicações periódicas, entre jornais e revistas, o que o colocava ao nível dos países mais desenvolvidos da Europa